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quinta-feira, 24 de março de 2011

Ó de bordo


Módulo 2 - Unidade 1 "Fundamentos  para educação na diversidade"
   Ó, de bordo!
   Arrumar uma passagem neste EAD já não foi fácil. Embarcar, então...                   A princípio, senti na pele o que é a exclusão digital. Acostumada com plataformas mais simplificadas, subir neste "transatlântico foi emocionantemente assustador. Os breves momentos que disponho nas UEs onde trabalho não são suficientes para ler, entender e atender às   solicitações. E, morando em um lugar onde a navegação pela internet ainda usa carretel, quase afoguei-me na  ansiedade. Buscando participar e cumprir os prazos, algumas colegas me emprestaram suas bóias até que eu pudesse ter as minhas. Resolvendo as questões tecnológicas, concentrei-me no estudo e aprendizagem, almejando transformação e ação. Um transatlântico é sempre mais dinâmico que um barco à vela , onde eu postava uma vez por mês. E, novamente, senti-me uma aluna de inclusão pois preciso ler e  reler o texto várias vezes, pesquiso buscando mais informações, troco idéias procurando esclarecimentos, faço rascunhos e, só então, estou pronta para postar. Adequar-me a essa nova dinâmica requer tempo... quero fazer e não estou dando conta... pensarão minhas tutoras que eu assumi um compromisso e não quero cumprì-lo?... será que vou ser substituída por alguém mais eficaz?...etc. 
Os fatos e os questionamentos relatados levaram-me a refletir sobre a posição de nosso aluno que gostaria de inserir-se no contexto escolar e não consegue! Conforme vimos nesta unidade, nos preocupamos em educar para a convivência e o respeito à individualidade, às diferenças, estimulamos discussão, reflexão e mudanças de atitudes. Mas, também, lutamos para ultrapassar nossos próprios limites, eliminar os resquícios de velhos preconceitos." Será que a ação que propomos não é apenas estiriotipada, para cumprir o currículo? "  É necessário dar oportunidade para o aluno falar sobre os apectos positivos e negativos da tolerância, trocar opiniões, perceber os diferentes matizes  da realidade; fazê-lo perceber que sem conhecimento não dá para julgar nem para lutar pela dignidade humana. Uma das escolas onde trabalho faz projetos importantes e os professores têm conseguido melhorar a convivência, o respeito... porém, percebo que os aluno se importam com os colegas apenas no calor das discussões, as reclamações não vão longe, logo se distraem... Exemplo: uma vez por semana vão à minha sala, que é fora do prédio principal, e para acessá-la há um degrau de mais ou menos 15 cms. Tudo bem para quem não é cadeirante nem tem outro transtorno de locomoção. Quase todas as semanas há reclamações:várias vezes, abaixo-assinado... várias vezes, discurso no Conselho de Escola...e o degrau continua lá, intacto, impassível, indiferente às solicitações. Há os que acham que a solução deve vir "de cima"... mas como chegar a esse "de cima" ?...                      O estímulo à participação da comunidade com as questões escolares não tem sido fecundo e um "degrau" físico espelha uma realidade ainda sórdida: não é comigo... porque se fosse... O desafio escolar e social é fazer o indivíduo perceber que ele é parte do todo, que fazer o bem comum aperfeiçoa nossa conduta, nos fortalece como grupo e traz satisfação pessoal.                     Motivada pelo texto, discuti  o tema também para minha outra escola, alunos do Ensino Médio, e a reação foi interessante, dava para perceber no olhar  e/ou na fala o questionamneto interior. Enfim, o estudo desta unidade foi mais um estímulo para levar nosso aluno a pensar no coletivo, a participar dele e a descobrir a importância de sua própria cidadania
   Módulo 2 - Unidade 2  "Valores e educação"
Ó, de bordo II
Ao embarcar nesta unidade, imediatamente liguei os motores da autorreflexão: sou cria da educação tradicional no período da ditadura. O que ensinavam na escola e na igreja era a verdade absoluta que eu levava para casa onde meu pai, funileiro, minha mãe, doméstica e vovó, parteira diziam: "Calma... não é bem assim. Estude um pouco mais...Mas, eles também tinham alguns valores questionáveis; lembro qu acreditava que ser comunnista era pecado, que cruzar as pernas era coisa de mulher à toa, etc. Todavia, o maior bem que me deram foi o amor aos estudos. E, estudando, fui destruindo algumas crenças, construindo outras. Desta maneira, descobri o que era a dignidade humana, a importância da diversidade cultural e religiosa, aprendi a reconhecer e praticar a solidariedade e a importância da liberdade de pensar e expressar nossas idéias bem como do "perigo" de fazê-lo. Claro que meus novos valores várias vezes conflitaram com os antigos (isso ainda acontece); por outras, a culpa causou-me insônia, principalmente quando comecei a lecionar.                        Hoje instigo meus alunos a questionarem oe que lhe ensinam; peço que reflitam sobre o objetivo de nossas palavras para que percebam a nossa intenção. Confesso que, de vez em quando sinto vontade de camuflá-la.                                                                                                                               Depois de ter lido a Unidade 2, levei aos alunos de 7ª e 8ª séries a questão sobre os direitos humanos - só por mencioná-lo, o tema causou polêmica; a visão implantada pela mídia e ressaltada conforme explicou Benevides  "identificação entre direitos humanos e direitos da marginalidade". (Unidade 2, pág. 46). Realmente, não é fácil ampliar um conceito, todavia, conseguimos chegar ao consenso de que é fundamental respeitar a liberdade e a variedade humana. Sei que será preciso continuar revisitando este tema até que as falas e ações demonstrem que se apropriaram de novos conceitos.                                                                                            Concluo que este capítulo estimulou-me a resistir à determinados valores propagados nas escolas, a questionar outros e a suspeitar se aquilo que tenho certeza ainda será verdade daqui a um século.
        Volume 2 - Unidade 3 - "Direito de aprender de todos e de cada um"
 Ó, de bordo III
  Percebo que este curso foi elaborado para ser um mapeamento, com lente de aumento, de nossa consciência individual e nossa prática pedagógica. E, esta unidade chamou a atenção porque neste momento a sociedade está discutindo sobre o bullying; vários profissionais buscam explicar essa violência crescente nas escolas onde alguns alunos vitimizam um colega, excluindo-o do direito de aprender e conviver. Lemos textos, analisamos casos, assistimos a vídeos com os alunos a fim de despertar a consciência do mal provocado por esta prática, tanto para o indivíduo quanto para  o grupo que fica a mercê do "bully" ( o briguento). Se o tema foi mais interessante para o cotidiano escolar, consequentemente, participar do fórum pareceria fácil mas... opinar na rede é algo de muita responsabilidade e exigiu concentração e reflexão. A troca de experiências entre os colegas também tem sido parceria importante para aprimorar nossa prática com sugestões de ações, programas preventivos e até de teorias e leis a serem abordadas sobre o assunto. Lembrando que, como não faço apenas este curso e trabalho em duas redes, acabamos encontrando pessoas de nosso grupo e polo assim como de outros grupos e polos. Tais contatos têm sido pessoais e/ou virtuais.                                                                   O que se percebe é que o cotidiano escolar tem mudado em prol de uma "cultura de paz" e que muito disso se deve ao professor que se atualiza em busca de uma educação de qualidade também para seus alunos.                  Outro caso polêmico nas UEs  é a matrícula de alunos com deficiência nas classes comuns. È certo que buscamos respeitar o direito de inclusão mas adicionar apenas na lista de chamada e dizer ao professor "resolva" é excluir duas vezes. Claro que acredito na inclusão mas temos que nos empenhar na luta pela adequação do ambiente escolar e criar condições para que o aluno incluído possa "satisfazer suas necessidades educativas" (unidade 3 página 72), para que tenham respeitadas e valorizadas suas diferenças e supridas suas necessidades.                                                                                                             Em suma, avanços educacionais estão acontecendo; porém, nem todos, ainda, podem usufruir do que é direito de todos porque precisamos nos unir à comunidade e há que se conseguir a conscientização de todos os que podem garantir estes direitos.
Até breve.
Ó, de bordo  (comentários)
Acabei o Diário de Bordo mas não sei o que postei foi adequado. Essa incerteza intimida a continuidade das tarefas já que escrevemos para ter  um parecer. Receber um juízo de valor constituí-se numa experiência entretanto afirmo que, independente do resultado, ampliei meu conhecimento e acabei por mudar de alguns valores de cidadania. Aguardo o parecer das tutoras para que indiquem se peguei o caminho certo.                                                Bom trabalho e até breve.

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