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quinta-feira, 24 de março de 2011

Com todas as letras


    O texto lido realmente leva-nos a confrontar o que supostamente sabemos em relação aos indígenas brasileiros. È um choque ler “com todas as letras” sobre a violência da expansão marítima portuguesa e espanhola e tomar consciência do engodo que foi nos ensinado na infância. Além de percebermos a visão eurocêntrica da mídia que retrata o índio como um bárbaro, por seus costumes diferentes, ou “coitadinhos” carentes da solidariedade humana.
    Surpreendi-me ao saber que no tempo do Brasil Colônia havia leis de proteção aos índios e que, como as modernas, também não funcionavam. Porém, a perplexidade foi maior ao  descobrir que os índios para serem considerados cidadãos brasileiros precisam deixar de serem índios. E isto em um país onde qualquer estrangeiro pode vir a ter dupla cidadania, veta-se a quem é de direito a sua identidade étnica! Percebe-se que o processo civilizatório em curso precisa ser revisto também neste ponto.
   E, ao rever paradigmas, ao ler sobre o “manual de urbanidades” vi-me na sala de aulas. Com certeza, fiz uma reflexão sobre minha prática e o que é ser “útil à pátria”
    É verdade que nota-se avanços  no Brasil na questão das políticas educacionais em relação à escola indígena. A autonomia dos professores indígenas para montarem seus currículos é importante tanto quanto dispor de recursos financeiros para viabilizá-los (será que há verba disponível para tal?)
    Tive oportunidade de conhecer alguns livros escritos por crianças indígenas e apresentá-los a meus alunos. Foi estimulante perceber o que temos em comum e diferenças entre estes brasileirinhos que estão tão longe do nosso cotidiano.
     Por isso, concordo quando se afirma que a “escola formal” ainda é modelo para a escola de índio”. Também ouso achar importante desenvolver uma ortografia para as línguas orais indígenas pois acredito ser o caminho para que elas não se percam neste caldeirão de transformações tecnoculturais da globalização.
     Parabenizo quem está nesta luta contra o descaso pela cultura dos índios brasileiros. E, de minha parte, creio que não posso deixar de dar aos meus alunos a oportunidade de ter um novo olhar sobre a história brasileira.    

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